Andressa Nogueira do Nascimento, de 35 anos, foi morta a tiros na tarde de sexta-feira (27) durante uma operação da Polícia Militar no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A vítima estava acompanhada do marido e do filho nas proximidades do conjunto da Marinha quando foi atingida por um disparo na cabeça. Ela deixa cinco filhos.
A operação teve início nas primeiras horas da manhã com o objetivo de retirar barricadas e prender Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, apontado como chefe do tráfico na região. Durante a ação, policiais do 1º Batalhão (Venda da Cruz) e de unidades especializadas como o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram recebidos a tiros por criminosos. Dois policiais militares e um homem foram baleados e levados ao Hospital Estadual Alberto Torres (Heat). Os agentes já receberam alta.
No fim da tarde, após informações sobre um suposto criminoso ferido na região, equipes solicitaram apoio de um veículo blindado da Polícia Rodoviária Federal (PRF). De acordo com a Polícia Militar, os policiais voltaram a ser atacados por bandidos e, durante a troca de tiros, Andressa foi atingida no local. A PRF informou que foi acionada em caráter de urgência para resgatar equipes do Bope e do 1º BPM que estavam sob forte ataque dentro da comunidade.
Familiares da vítima, no entanto, apresentam uma versão diferente. Em entrevistas, o viúvo Carlos Eduardo Silva e o filho mais velho, Carlos Victor Silva, de 18 anos, acusaram os agentes de terem efetuado os disparos e de não terem prestado socorro à vítima. “O nosso filho, o pequenininho, viu”, relatou o pai. “A PRF, em vez de parar para socorrer, foi embora rindo. Eu quero justiça”, lamentou o filho.
A irmã da vítima, Ana Paula do Nascimento, afirmou que Andressa era faxineira e auxiliar de cozinha, não tinha envolvimento com o crime, e criticou a abordagem policial. “Deram uma bala na cabeça da minha irmã, que era trabalhadora”, disse. Uma amiga também relatou que a vítima estava na rua para comprar água para fazer o almoço da família no momento do confronto.
A morte de Andressa gerou forte comoção e protestos na comunidade. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o filho da vítima chorando dentro de um estabelecimento comercial. Moradores fizeram barricadas, incendiaram objetos e bloquearam vias com um ônibus. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, manifestou-se sobre o caso, afirmando que a política de segurança pública coloca em risco a vida de moradores de favelas.
O corpo de Andressa foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó e sepultado no fim da tarde de sábado (28) no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco, em São Gonçalo. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), que apura as circunstâncias do disparo que vitimou a moradora.
