A Polícia Civil do Espírito Santo conseguiu identificar os quatro homens que, na tarde do último sábado (23), transformaram um terreno baldio no bairro Flexal II, em Cariacica, em um campo de execução. Quatro pessoas da mesma família foram mortas a tiros e uma quinta ficou gravemente ferida. O motivo? Uma mistura de vingança antiga, resistência ao tráfico e uma suposta falta de "respeito" na forma de uma reverência não feita.
Os ataques não foram aleatórios. As vítimas — Hélio da Silva Souza (58), seu filho Gean de Castro Souza (39), o genro Ruan Carlos da Silva Ribeiro e o amigo Carlos Daniel Rocha Santos (18) — já vinham sendo vigiadas desde a manhã do crime. Dois homens passaram pelo local para confirmar se eles estavam ali, trabalhando em um serviço de limpeza e corte de madeira. Horas depois, quatro atiradores armados chegaram e executaram o grupo a sangue frio.
Até agora, dois suspeitos foram presos. O primeiro, Caio Mota (28), é apontado como um dos atiradores. Contra ele pesam quatro acusações de homicídio duplamente qualificado e uma tentativa de homicídio. O segundo, Daniel Inácio Schnidel Bernardo (31), acabou detido por tráfico de drogas, mas a polícia ainda investiga se ele teve participação direta nos assassinatos. Outros três envolvidos seguem sumidos — e um deles, apontado como chefe da operação, estava foragido do sistema prisional desde uma saída temporária de Natal.
A história de sangue, no entanto, começou bem antes. Em 2021, a mesma família já havia enfrentado a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Na época, eles impediram que traficantes montassem um ponto de venda de drogas perto de casa, onde crianças brincavam na rua. A resposta do crime organizado foi assassinar um filho mais novo de Hélio. Agora, quatro anos depois, a conta ficou ainda mais cara.
Além da vingança, há outra hipótese que os investigadores levam a sério: no dia da chacina, os trabalhadores teriam se recusado a fazer uma "reverência" exigida pelos criminosos ao cruzarem com eles na rua. Ofendido, o traficante teria ido buscar mais armas e comparsas para resolver a falta de "respeito" da pior maneira possível.
O único sobrevivente, um homem de 41 anos que é irmão de Gean e também trabalhava no terreno, levou um tiro no peito. Mesmo ferido, ele conseguiu correr para a mata, deixando um rastro de sangue até conseguir ajuda. Internado em estado grave, ele já passou por cirurgia e segue lutando pela vida.
A polícia segue fazendo buscas na região de Flexal II para capturar os três foragidos. A comunidade, mais uma vez, fica em estado de alerta.
