Frentista é executada a tiros a caminho do trabalho em Bujaru; ex-companheiro é o principal suspeito


Ediane Souza, de 28 anos, já havia sobrevivido a uma tentativa de homicídio há três anos e possuía medida protetiva ativa; crime foi cometido por dois homens em uma motocicleta.




 

BUJARU (PA) — Um crime chocante abalou o município de Bujaru, no nordeste paraense, na manhã desta quarta-feira (12). Ediane Souza, de 28 anos, foi assassinada a tiros no quilômetro 26 da rodovia PA-140, quando seguia de motocicleta para o trabalho.

O crime ocorreu por volta das 6h, próximo ao posto de combustíveis onde Ediane trabalhava como frentista. Segundo testemunhas, ela sempre chegava cedo para abrir o estabelecimento e foi surpreendida pelos disparos antes mesmo de iniciar seu turno. Imagens de câmeras de segurança e relatos de moradores indicam que dois homens em uma motocicleta abordaram a vítima e efetuaram os tiros antes de fugir em alta velocidade.

A vítima deixou duas filhas, que agora ficarão sob os cuidados da família. A comoção tomou conta da cidade, onde Ediane era bastante conhecida e querida pela comunidade.

### Histórico de Violência e Ameaças
A Polícia Civil já aponta o ex-companheiro de Ediane como o principal suspeito do assassinato. O casal teve um relacionamento marcado por violência doméstica e ameaças constantes. Há cerca de três anos, Ediane registrou uma denúncia contra o ex e, logo em seguida, foi alvo de uma tentativa de homicídio — da qual sobreviveu.

Com medo de represálias, a frentista chegou a deixar Bujaru e se mudou para outra cidade em busca de segurança. No entanto, recentemente decidiu retornar ao município para ficar mais próxima da família e das filhas. A vítima mantinha uma medida protetiva de urgência ativa contra o ex-companheiro, concedida pela Justiça com base na Lei Maria da Penha.

Familiares relataram que, nos últimos 15 dias, Ediane voltou a ser ameaçada de morte. As ameaças teriam se intensificado após o retorno dela à cidade, reacendendo o temor de que algo pior pudesse acontecer.

### Investigação em Sigilo
A Delegacia de Bujaru assumiu a investigação do caso e informou que os trabalhos estão sendo conduzidos sob sigilo para não comprometer as diligências em andamento. As autoridades estão analisando imagens de câmeras de segurança, ouvindo testemunhas e cruzando informações sobre o paradeiro do ex-companheiro no momento do crime.

Caso seja confirmada a participação do suspeito na execução, o crime será enquadrado como feminicídio, uma qualificadora prevista no Código Penal para homicídios cometidos contra mulheres por razões da condição do sexo feminino — incluindo violência doméstica, discriminação ou menosprezo à condição de mulher.

A Polícia Civil também investiga se o ex-companheiro agiu sozinho ou se contratou os dois homens que foram vistos na motocicleta para executar o crime, o que configuraria também o crime de homicídio qualificado por motivo torpe e mediante paga ou promessa de recompensa.

O Drama das Medidas Protetivas Descumpridas
O caso de Ediane reacende o debate sobre a eficácia das medidas protetivas no Brasil. Muitas mulheres vítimas de violência doméstica possuem ordens judiciais de afastamento contra seus agressores, mas continuam sendo perseguidas e assassinadas por falta de fiscalização adequada e de mecanismos efetivos de proteção.

Organizações de defesa dos direitos das mulheres têm cobrado das autoridades paraenses maior rigor no cumprimento das medidas protetivas, além de políticas públicas que garantam abrigo, apoio psicológico e acompanhamento permanente às vítimas que denunciam seus agressores.

O corpo de Ediane foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e deve ser velado e sepultado em Bujaru nos próximos dias. A família pede justiça e clama por punição severa aos responsáveis pelo crime.

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